quinta-feira, 16 de junho de 2016

2.Fazenda Suissa e Fazenda Sabiá 1955 a 1985 (5)

2.7 Fazenda Suissa:
As Estruturas Flutuantes de Mestre Mathys
Com a sucessão de gerações houve também uma renovação geral do quadro administrativo. Dr. Pedro buscou Ernst Öhniger, um engenheiro agrônomo suíço dos confins do Cantão de Thurgau, para encabeçar a nova equipe. Sr.Ernesto já trabalhava para o Espólio Max Wirth em Guararapes e veio para a Fazenda Suissa em 1957, com a esposa Dona Eunice e a filha mais velha Lina. Aqui viveram por mais de 20 anos e criaram seus 8 filhos.


Sr. Natal Polizatto trabalhava no Banco Popular em Guaimbê. Como a agência local fechou, Sr. Natal aproveitou o convite de Ernesto Öhniger para assumir a função de guarda-livros na Fazenda Suissa, substituindo Mauro Ebner. Dona Maria, sua esposa, logo que tirou a carteira de motorista em Getulina, recebeu das mãos de Dr. Pedro uma camionete Toyota novinha para conduzir os alunos do ginásio até Guaimbê, já que a escola da fazenda tinha somente as 4 primeiras séries. Não havia temporal nem chuva que segurasse Dona Maria, os alunos e a Toyotinha traçada na estrada barrenta entre a fazenda e a cidade...

 Sr. Olavo Arantes foi fiscal geral da Fazenda Suissa desde 1951 quando mudou da colônia São José para a sede na casa ao lado da farmácia. Ali morou por mais de 20 anos e criou seus 12 filhos. Ele e Rodolfo Wild, engenheiro agrônomo encarregado das lavouras de café, foram fundamentais para a transição administrativa de Ernst Loosli para Ernst Öhninger.

Em 1962 Dr. João, cunhado de Dr. Pedro, buscou uma equipe de construtores na Fazenda Paredão para construir a infraestrutura completa da Fazenda Sabiá que havia sido recém desmembrada. Nessa ocasião o mestre de carpintaria Erwin Mathys e sua esposa passaram à morar na sede velha da Fazenda Suissa onde ele também projetou e construiu três maravilhosas estruturas de madeira, tão leves que parecem flutuar.
A serraria e a oficina mecânica eram de responsabilidade da família de José Penha, que atendeu Erwin Mathys em todas as suas requisições de madeiras e ferragens.


A Nova Cocheira e o Paiol: Atrás da primeira moradia de madeira do pioneiro Max Wirth havia uma cocheira com curral que abrigava tanto as vacas leiteiras como os cavalos de montaria. Todas as manhãs era tirado o leite para consumo dos moradores da sede e se arreavam os cavalos para equipe de administração. A pequena leiteria da sede tornou-se obsoleta. Em seu lugar Erwin Mathys projetou uma bela cocheira só para os cavalos da equipe administrativa.


 Já nos anos de 1970 o carpinteiro Romeu Castilho, aluno do velho mestre Mathys, veio executar o projeto do paiol de milho onde se guardava o suplemento alimentar da tropa. Tanto a cocheira como o paiol são pequenas jóias da arte de construir estruturas leves em madeira.




 A Grande Garagem: Junto com o advento da modernização das lavouras ocorreu uma forte diversificação nas atividades produtivas da fazenda, tais como o plantio de eucalipto e o aprimoramento da pecuária comercial de corte e de leite.

Muitos serviços nos cafezais, principalmente a colheita, ainda eram feitos manualmente. Porém foram comprados pequenos tratores e muitos implementos úteis na mecanização das lavouras de café tais como roço-carpa e pulverizadores.  Para abrigá-los Erwin Mathys projetou uma bela garagem com 8 tesouras de 22metros de envergadura e 620m² de área coberta.


 A Grande Leiteria: Nessa fase de inovação Dr. Pedro importou sêmen de gado-pardo-suíço para melhorar a genética e expandir o rebanho leiteiro. Era necessário construir uma leiteria moderna em lugar mais apropriado que permitiria um manejo adequado de pastagens, já que a velha leiteria estava apertada entre íngreme encosta e as instalações da sede.

O local escolhido para a implantação foi próximo aos currais da antiga Vita Farma onde já havia boas pastagens formadas de capim colonião. Além do galpão de 1.200m² há mangas para apartação do gado e a casa do retireiro conforme o desenho abaixo.



domingo, 29 de maio de 2016

2.Fazenda Suissa e Fazenda Sabiá 1955 a 1985 (4)

2.6 Fazenda Sabiá: Instalações para Administração, Mecanização e Manejo Pecuário
O grande galpão que hoje serve de garagem para os veículos e demais maquinário da Fazenda Sabiá foi o local onde nasceram todas as outras construções. Além de ser o primeiro teto dos construtores serviu também para a fabricação de blocos de concreto com os quais foram erguidas as casas da colônia, o escritório e a oficina. Essas primeiras construções da Fazenda Sabiá eram originalmente cobertas com telha de cimento amianto, exceto a cocheira e o curral. Já se utilizava, portanto materiais industrializados diferentemente da época pioneira onde primeiro era necessário manufaturar telhas e tijolos antes de construir.


O Escritório
O escritório foi projetado à moda antiga com duas salas. A sala do escrivão tinha um guichê para a varanda através do qual os trabalhadores rurais se comunicavam com ele sem entrar na sala. Ali se assinava o ponto e a folha de pagamento. 
O administrador ocupava a sala mais reservada com acesso ao lavabo. 
Posteriormente o escritório foi ampliado conforme se vê na foto.


A Oficina
A oficina, construção compacta e objetiva, reflete o rigoroso senso de organização suíço. Cada setor seja de borracharia, lubrificação, abastecimento ou consertos tem suas bancadas e armários para ferramentas. 


 O Paiol
O paiol de milho segue o modelo clássico É uma construção elevada do solo e arejada para impedir o mofo e o ataque de roedores. Um diferencial porém é o mezanino que ocupa metade da parte superior do paiol. Os dois alpendres laterais servem de abrigo para charretes e pessoas durante as chuvas de verão. 


 A Cocheira e o Curral
Dizem os antigos que havia outro curralzinho muito feio no mesmo local. Paul Ackermann montou o curral de 2000m² tal qual ele é utilizado hoje. É uma instalação moderna e completa com cinco mangas, seringa, tronco, apartadouro, balança e embarcadouro nessa ordem.  Chamam a atenção os nichos reservados para as árvores que sombreiam as mangas, um detalhe que oferece conforto aos animais ali contidos.
A cocheira tem somente uma manga externa, junto ao curral. Ela oferece espaço para arrear e abrigar cavalos, conter, banhar e tosquiar carneiros, abater gado, enfim  atividades diversas relacionadas com a lida pecuária.





A Casa-Sede
Em 1968 o patrão Dr. João remanejou os administradores das fazendas porque ele notou que seus colaboradores mais imediatos moravam distantes dos familiares. Assim Paul Ackermann foi cuidar de uma fazenda perto de Guararapes onde morava a família de sua esposa e João Bannwart veio para a Fazenda Sabiá, ficando mais próximo de seus parentes de Pirajuí.
Ao se mudar para a Sabiá João Bannwart dispensou a Mansão Ventania, moradia de seu antecessor, e ocupou logo duas casas da nova colônia. Mas esse arranjo não era muito prático, principalmente na estação das águas, então ele optou por construir uma Casa Sede mais confortável para si. Ele convenceu o patrão que, fazer uma casa de bom tamanho, seria uma empreitada rápida e barata. Assim fez, utilizando bloco cerâmico furado, laje premoldada, telha de barro e esquadrias de ferro. A casa ficou razoavelmente prática e ganhou conforto térmico em relação às demais, mas ficou a construção mais sem graça da Fazenda Sabiá.
Hoje as varandas e o paisagismo corrigiram essa feiúra acrescentando uma boa dose de charme e aconchego à Casa-Sede conforme mostra a foto. Mas essas alterações serão comentadas mais adiante. 



Segue abaixo uma imagem mostrando o conjunto da sede da Fazenda Sabiá:

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

2.Fazenda Suissa e Fazenda Sabiá 1955 a 1985 (3)
Após a dissolução do espólio de Max Wirth os dois cunhados que ficaram com a Fazenda Suissa começaram implantar seus diferentes estilos de gestão. Dr. Pedro gostava da agricultura e cultivava seus novos cafezais com carinho, mesmo porque ele contava com toda a infraestrutura necessária para o processamento do café. Já Dr. João acabara de voltar de uma viagem aos Estados Unidos onde estudou novas perspectivas para a produção de carne. Como ele ainda não tinha uma sede operacional na nova Fazenda Sabiá ele aproveitou para substituir os cafezais por pastagens.  

2.5 A Equipe de Construção da Nova Sede
Por volta de 1962, depois que o escritório de arquitetura Pestallozzi forneceu todas as plantas das casas novas da Fazenda Sabiá, Dr. João foi buscar uma equipe de construtores competentes na Fazenda Paredão.
Seu cunhado Dr. Pedro que lá morava convocou o suíço Walter Tobler, um amigo de infância. Ele era marceneiro de mão cheia, mas atuava principalmente como construtor, profissão de maior demanda naquela época de divisão das fazendas. Em 1953 Walter Tobler havia contratado um mestre carpinteiro em sua terra natal para completar sua equipe brasileira. Erwin Mathys jovem mestre era filho de uma tradicional família de carpinteiros dos confins do Emmenthal. Ele queria se aventurar no Brasil e desta forma juntou a fome com a vontade de comer, conforme manda o ditado. Vindo para cá foi contratado por Walter mas não tardou à se tornar sócio do compatriota. No final da década de 1950 ambos casaram com moças de Oriente-SP e os negócios começaram a prosperar. 

 Dr. João pediu à dupla Tobler-Mathys de erguer todas as construções necessárias para a nova sede o mais rápido possível. Enquanto isso Paul Ackermann, o administrador que morava na Mansão Ventania, arrancava café, semeava pastagens, enfim, cuidava das lavouras e do gado. Os sócios construtores chegaram com a turma num pequeno caminhão Opel e montaram acampamento em baixo da figueira, única ainda pequena sombra do local.



Construíram primeiramente um reservatório de água subterrâneo com capacidade de armazenar 86’000litros  e uma caixa d’água elevada de 17’000 litros no topo da colina junto à futura sede. Era uma obra de concreto armado muito exagerada em sua robustez, mas ousada em sua estrutura e moderna no visual.


 Logo que foi possível utilizar o reservatório ele se tornou a alegria da turma da construção. Todo fim de expediente os homens se jogavam pelados naquele grande tanque, nadavam e brincavam para se refrescar da labuta diária no descampado sem sombra




Os Galpões de Erwin Mathys

Em seguida construíram o grande galpão de máquinas conforme projeto de Erwin Mathys, com tesouras que vencem grandes vãos utilizando peças relativamente curtas unidas somente com cravilhas dispensando parafusos. O projeto otimiza o uso da madeira em relação à sua área coberta de 440 metros quadrados. As tesouras treliçadas vencem um vão entre apoios de 13 metros e acrescentam mais 4,50 metros de balanço em cada lateral completando 22 metros de comprimento.



 Tão logo ficou pronto o galpão passou primeiramente à abrigar a fabricação dos blocos de concreto utilizados na construção de todas as casas, dos quartinhos da cocheira, da oficina e do escritório. Além disso, a turma também mudou o acampamento da figueira para o conforto do galpão.






Em 1963 Erwin Mathys e sua esposa Dirce haviam se mudado de Oriente para a Fazenda Suissa à fim de acompanhar de perto a equipe de construção da nova sede da Fazenda Sabiá, sem abdicar ao conforto de uma casa de alvenaria. Eles moravam ao lado da casa do guarda-livros. 




Ao mesmo tempo em que ele orientava os trabalhos de construção da nova sede da Fazenda Sabiá, ele também ajudou a modernizar a Fazenda Suissa. As tulhas secadoras foram demolidas e no espaço por elas ocupado foi construído um galpão para guardar máquinas, parecido porém maior que aquele da Fazenda Sabiá.
O secador passou por uma reforma na qual se retirou a torre do elevador principal, se instalou fornalhas mais eficientes e se construiu uma nova moega.


Todos esses trabalhos foram realizados pela equipe Tobler-Mathys, mas o mestre carpinteiro do Vale do Emmenthal era o engenheiro chefe que calculava todas as peças e junções garantindo a estabilidade das estruturas. Trinta anos mais tarde ele foi consultado para uma modificação simples da estrutura do telhado da moega. Foram retirados 2 pés-direitos sem alterar as tesouras. A folha à seguir é parte do projeto de alteração que Erwin Mathys calculou e desenhou de próprio punho.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

2.Fazenda Suissa e Fazenda Sabiá 1955 a 1985 (2)

2.3 O Sertãozinho
No período do condomínio após o falecimento do patriarca, o gerente geral da Fazenda Suissa, Ernst Loosli, se aposentou e foi cuidar de sua propriedade próxima ao perímetro urbano de Guaimbê.

Seu sucessor Ernesto Öhninger era um jovem técnico agrícola crescido e formado nos pomares de macieiras, pereiras e pessegueiros do Cantão de Thurgau na Suíça. Coube a ele a renovação e os cuidados das novas lavouras de café em curva de nível, além de iniciar os reflorestamentos de pinus e eucaliptos. Porém primeiro ele pode saborear um pouquinho a aventura de desbravar terras intocadas pelo homem branco. 
Havia no canto oeste da fazenda um resto de mata virgem chamado Sertãozinho que logo mais passaria a fazer parte da Fazenda Sabiá. O mapa abaixo ilustra a Fazenda Suissa já com as reformas implantadas nos anos que se seguiram pelo filho Dr.Pedro e pelo genro Dr.João, ambos engenheiros agrônomos sucessores de Max Wirth.


Em 1957 Hans Peter Wirth (Dr. Pedro) que encabeçava o condomínio arrendou o Sertãozinho ao Sr. Koishi Tokuda e sua família para derrubar parte da mata e plantar algodão durante 2 ou 3 anos, sob a orientação  do administrador Ernesto Öhninger.




Conforme nos conta seu filho Sr. Minoru Tokuda antes de se estabelecer na Fazenda Suissa a família havia tentado a sorte em diversos municípios do Oeste Paulista como Nova Europa, Itápolis, Jales e Araraquara. 
O casal Tokuda tinha 4 filhos homens que ajudavam na roça e uma filha já casada que morava em Pompéia. Após a derrubada a família montou uma casa de madeira, plantou algodão e cultivou uma roça para subsistência. Seu meio de transporte era um carroção puxado por diversas juntas de burros com o qual sempre vinham até a sede conversar com Sr. Ernesto e se abastecer no armazém da fazenda.



2.4 Fazenda Sabiá (1): As Moradias

Mansão Ventania

Johann Viktor Baumgartner (Dr.João) assumiu sua parte da Fazenda Suissa e deu-lhe o nome de Fazenda Sabiá. Contratou Paul Ackermann um administrador suíço que todos chamavam de Paulão. Ofereceram-lhe uma moradia confortável na antiga sede, mas Paulão resolveu construir sua própria casa de madeira no meio das colinas descampadas da Sabiá onde haviam arrancado o velho cafezal e plantado gramão para a formação de pastagem. Assim estaria mais próximo do serviço. O vento castigava sua nova casa sem piedade por isso Paulão plantou uma figueira nos fundos e deu o pomposo nome de “Villa Durchzug”, Mansão Ventania livremente traduzido, ao seu novo lar.



A Sede Nova

Na Fazenda Sabiá já havia três colônias onde os trabalhadores moravam em casas geminadas muito simples. A colônia principal, Santa Maria, hoje ainda está bem preservada e as outras duas, São José e Jiquiri, desapareceram só restando poucos vestígios.

Faltavam, no entanto casas confortáveis para os colaboradores mais qualificados como mecânico, tratorista e escrivão. No início da década de 1960 Dr. João contratou o escritório de arquitetura Pestallozzi de São Paulo para elaborar o projeto dessa nova sede planejada para ficar ao lado da Mansão Ventania. O arquiteto e seu irmão artista vieram para o interior num carro Aero Willis modernoso, ficaram por alguns dias na casa do Dr.João e Dona Verena. Enquanto o arquiteto debatia as diretrizes do projeto com os proprietários o irmão pintou o retrato que hoje está no escritório da fazenda. O resultado dessa visita foi um conjunto de 6 casas com telhados de fibrocimento de uma água e pequeno alpendre na frente.


As casas tinham 2 quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviços com dimensões generosas e a leveza característica da arquitetura modernista da época. Fugindo da tradição colonialista onde as casas padrão eram alinhadas ao longo de uma rua o arquiteto optou por agrupá-las aos pares deixando um gramado central. Cada casa tem seu quintal com pomar, galinheiro e pocilga no fundo – enfim uma sede modelo moderna!





domingo, 17 de janeiro de 2016

2.Fazenda Suissa 1955 a 1985 (1)

2.1 Transição para uma Nova Era
O pioneiro Max Wirth morou na Fazenda Suissa de 1922 até 1935, quando se mudou com a esposa Dona Emília para a Fazenda Paredão em Oriente. À partir de 1941 ele se dedicou à fundação da cidade de Osvaldo Cruz e à abertura de novas fazendas. Os filhos, depois de completarem seus respectivos estudos, retornaram um após o outro ao Brasil, vindo sempre à morar primeiramente na Fazenda Suissa. 


Max Wirth Junior descreve os anos que se seguiram em sua crônica:
“Nesse meio tempo todos os filhos residentes no Brasil já haviam assumido suas próprias fazendas. Os demais bens da família formavam um conglomerado complexo composto por nove fazendas, uma indústria de óleo e diversas participações societárias que só pode ser bem administrado porque nosso pai, os irmãos e parentes sempre priorizaram a razão e a solidariedade apesar das diferenças de temperamentos.
No dia 31 de dezembro de 1952 Max Wirth faleceu em Santos vítima de infarto. Após sua morte o conglomerado continuou sendo administrado em forma de condomínio por Peter Wirth e os senhores Oscar Tanner, João Guerra e Hans Benz no mesmo estilo de solidariedade por mais 10 anos.”   

Os sucessores: Transformação da Paisagem
Com a dissolução do Espólio Max Wirth a fazenda foi dividida em duas: a metade norte com a velha sede que continuou sendo Fazenda Suissa ficou para o filho Hans Peter Wirth, por todos chamado de Dr. Pedro, e a metade sul que recebeu o novo nome de Fazenda Sabiá ficou para a filha Verena e seu marido Johann Viktor Baumgarner que chamavam de Dr. João.

Os cunhados se entendiam muito bem por serem ambos engenheiros agrônomos formados na Suíça.




Os cafezais, já contando 30 anos de existência, tinham de ser renovados.  O sistema rigorosamente ortogonal sem respeitar a topografia no qual foram implantados gerou muita erosão. O leito dos carreadores por onde transitavam os carroções e tratores estava fundo pelo desgaste das enxurradas. Em 1946 quando Dr. Pedro voltou recém-formado da Suíça recomendou ao seu pai de plantar as novas lavouras em curva de nível. O velho Max respondeu: “Lavoura reta é objetiva, fácil de administrar; lavoura em curva custa mais e quem quiser implantá-la que pague do próprio bolso” Portanto quando assumiram as lavouras da velha Fazenda Suissa os cunhados concordaram que tinha chegado a hora de mudar. Pedro iniciou novas lavouras de café em curva de nível e João substituiu o café por pastagens nesse mesmo sistema. Ambos reflorestaram grande parte da fazenda com eucaliptos e pinus, deixando para trás a era de pura exploração para inaugurar a era de conservação e melhoria do solo.  O mapa à seguir, desenhado por Walter Schiller em 1959, mostra a divisão da fazenda já com indícios das curvas de nível no traçado das estradas.



2.2 As Fontes

Para nos relatar sobre essa nova era contamos com dois moradores antigos de ambas as fazendas.


Olavo Arantes Júnior nasceu em 1951 na Fazenda Suissa, colônia São José, sendo um dos doze filhos do fiscal geral Sr. Olavo Arantes. Aqui morou até a maioridade quando foi para São Paulo trabalhar como bancário. Já nos anos 1990 adquiriu uma parte da Fazenda Suissa ao qual deu o nome de Fazenda 1º de Maio.












 
José da Cruz, filho do Sr. Otacílio jardineiro e velho companheiro do Dr. João, veio morar na Fazenda Sabiá em 1968, mesmo ano da chegada do segundo administrador. Essa data coincide com o final da construção da sede. Recentemente se aposentou e mudou para a cidade após 40 anos vividos na Fazenda Sabiá.













domingo, 10 de janeiro de 2016

1.Fazenda Suissa 1925 a 1955 (12)

1.6 Moradias (3)
As primeiras moradias da Fazenda Suissa foram construídas com madeira proveniente das derrubadas, desde a casa do patrão, as casas dos funcionários de primeiro escalão, até as casas geminadas dos colonos. Algumas tinham fundações de alvenaria e outras de estacas de aroeira.
Variava, porém o grau de acabamento que conferia maior ou menor conforto ao morador, de modo que as mais confortáveis como, por exemplo, a primeira casa sede tinham janelas com vidros e venezianas, ambientes internos forrados e portas com fechaduras no lugar das tramelas, diferentemente das casas dos colonos desprovidas destes detalhes. Mas todos almejavam morar em casa de alvenaria com banheiro interno e acabamento refinado. À seguir estão relacionadas as moradias dessa categoria. As velhas casas de madeira eram consideradas atraso de vida por isso hoje não resta mais nem uma única sequer na Fazenda Suissa.

A Casa dos Administradores

O departamento de pessoal era estruturado conforme uma rígida hierarquia. O gerente geral Ernst Loosli comandava os administradores de diferentes setores e abaixo deles havia o fiscal geral que supervisionava o serviço braçal, os profissionais da construção, mecânico, maquinista e guarda-livros. Max Morel ( na foto à direita de Walter Schiller), Leôncio Bannwart e Rodolfo Wild foram os administradores que moraram na casa próxima da família Loosli no alto da colina. Entre as duas casas havia uma construção comprida apelidada de Zeppelin que abrigava os tratores, o carro Ford e terminava no paiol de milho. 


 A Casa dos Administradores tem 3 quartos pequenos, 2 quartos grandes, sala, copa, cozinha,  despensa e banheiro.  A forma do telhado lembra um pouco a tradição das construções rurais do cantão de Berna na Suíça. Junto à casa, sob a alameda de mangueiras da estrada, havia um campo de bocha muito frequentado aos fins de semana.




Duas gerações da família Schiller moraram na Fazenda Suissa. Primeiro o engenheiro Walter (na foto à esquerda de Max Morel com sua esposa Amália e filhos moraram na Casa-Sede de madeira. Ele trabalhou alguns anos como administrador e agrimensor na Fazenda Suissa e, após adquirir o Sítio Cana Verde em Lucélia, passou a prestar serviços de topografia além de cuidar das lavouras e do alambique de seu sítio. Com saudades a comunidade suíça se lembra dele, o grande acordeonista que embalava o baile e acompanhava a cantoria a beira da fogueira nas festas de 1º de agosto, dia em que se comemora a independência da Suíça


Muitos anos depois o filho Walter Schiller Junior, veterinário, morou na Casa dos Administradores e fez uma reforma onde acrescentou um anexo com mais 2 quartos, banheiro, área de serviços e garagem. Esse anexo curiosamente foi construído de forma à obstruir a estrada do alto da colina e inutilizar o campo de bocha.

A Casa do Serrador


Ao lado da Casa dos Administradores tem uma casa um pouco estranha. O telhado pontudo de quatro águas e os puxados laterais remete ao mundo dos ogros ou das fadas. 
Nela morava a família de Albino Kursel que tocava a serraria, pessoa chave para o bom funcionamento da fazenda. 
A casa tem três quartos, sala, copa, cozinha, banheiro e uma varanda de serviços.










A Casa do Guarda-Livros e Vespário



 Os guarda-livros sempre moraram na casa ao lado do escritório velho. O primeiro foi Willy Schmidt, depois seguiram Mauro Ebner e Frederico Kremper, Walter Beck e Natal Polizato.

  
Dona Terezinha, a esposa de Frederico Kremper, cuidava do vespário, Uma das primeiras pragas que se instalou nos cafezais foi a broca. Como não havia fácil acesso à defensivos químicos a broca era combatida com seu inimigo natural, as vespas.  Elas eram criadas numa pequena construção ao lado do terreiro, domínio de Dona Terezinha.


A Casa do Fiscal

Quem chegava na Fazenda Suissa se deparava primeiro com a Casa do Fiscal onde era o ponto do ônibus Pássaro Amarelo. O Sr. Olavo Arantes criou seus filhos nessa casa, sempre trabalhando como fiscal geral.

A Casa do Fiscal fica ao lado da escola e da farmácia. Ela tinha 3 quartos, sala, copa, cozinha, despensa e uma cozinha externa junto ao banheiro num anexo. 
Posteriormente esta casa passou por uma reforma, sendo anexada ao conjunto da escola e da farmácia.


O Fim de uma Era

Max Wirth faleceu no último dia do ano de 1952. Junto com ele a Fazenda Suissa encerrou sua fase de desmatamento, consolidação dos cafezais e colonização.
Centenas de imigrantes ajudaram nessa tarefa. Primeiramente Max Wirth trouxe seus compatriotas da Suíça, depois seguiram espanhóis e italianos. No início da década de 1930 a Fazenda Suissa firmou contratos de trabalho com o governo japonês. Assim diversas famílias japonesas vieram somar esforços e iniciar uma nova vida no Brasil.

A aquarela de Takaoka é um presente para a família Wirth de Noda Guenko, fazendeiro do município de Getulina, que acompanhou a delegação do príncipe do Japão em sua visita à Fazenda Suissa em1957. Nessa ocasião os contratos já haviam terminado, mas permaneceu o vínculo de admiração e respeito mútuo entre japoneses e suíços.