sexta-feira, 22 de julho de 2016

3.3 Fazenda Seriema (2)
Arquitetura é um assunto muito envolvente. Arquitetura abrange todas as atividades humanas, pois organiza o espaço construído para melhor servir ao desempenho de cada atividade com harmonia e eficiência. Em conseqüência disso os arquitetos atuam em toda parte inclusive no campo. Um exemplo são os 4 arquitetos proprietários atuantes nas 8 fazendas que hoje compõe a antiga Fazenda Suissa. Max Matter é um deles que projetou com maestria e carinho a sede da sua fazenda.

A Alma do Negócio
Segue a planta baixa de uma das primeiras e a mais importante construção erguida na Fazenda Seriema. Ela compreende o almoxarifado, pequena garagem, oficina para trator e quartinho de arreios. Posteriormente foram feitas ampliações em ambos os lados para atender à todas as necessidades tanto operacionais como administrativas da fazenda.



Mesmo obedecendo à simetria a ampliação conferiu uma aparência muito peculiar ao conjunto conforme se observa na foto.




O Grande Galpão  e o Galpãozinho
Essa foto do final do ano de 1988 mostra a montagem do grande galpão de maquinário. O projeto é de Erwin Mathys, mas a execução tanto do galpão como do curral, foi realizada pela equipe do carpinteiro Rosa de Guararapes.




São aproximadamente 440 metros quadrados de área coberta aberta com 2 pequenos quartinhos fechados. Ele abriga tratores, carretas, implementos, adubo e um estoque de madeira

 Apesar do generoso espaço de depósito do grande galpão sempre há outros materiais que se acumulam na fazenda. Para guardar pneus, sacarias etc. foi construído um galpãozinho de 15,30m por 5,80m. É uma estrutura simples sem tesouras com esteios roliços de 2,30 nas laterais e 3,15m no meio à cada 3 metros.



O Curral
O curral mede um pouco mais que 43m de diâmetro. Seu diferencial é uma manga de retorno que facilita a apartação dos animais depois da balança. Esse detalhe mostra um dos aspectos mais importantes na seleção do gado da Fazenda Seriema onde sempre foi observado o ganho de peso de todos os animais à partir do nascimento.


As Casas
Todas as construções da Fazenda Seriema têm cobertura de fibrocimento sobre estrutura de madeira. As casas e o escritório/oficina são de alvenaria aparente, pisos de cimento queimado e esquadrias de madeira.

A casa do administrador é maior e tem como característica interessante a cozinha/copa separada do corpo principal da casa por uma varanda para churrasco. As chaminés do fogão à lenha e da churrasqueira são geminadas. Dona Cidinha e Sr. Luizinho que pilotam esse fogão e a churrasqueira respectivamente trabalham já há aproximadamente 25 anos para a famílias Matter e Baumgartner.


 As demais casas são menores e mais simples por não serem forradas. Elas tem 3 quartos, sala de estar, copa/cozinha integradas, banheiro externo, pequena área de serviços e garagem.

 A colônia tem um aspecto moderno e ordenado contrastando com o frondoso bosque que a rodeia. Todas as casas são arejadas e têm como característica uma passagem entre o banheiro e o corpo principal da casa.

As construções da sede da Fazenda Seriema nem sempre seguem as Normas Brasileiras, mas o conjunto todo é um exemplo da boa arquitetura rural contemporânea.



A Pensão
A pensão é uma velha casa de madeira que foi desmontada em uma das colônias antigas e reconstruída na Fazenda Seriema. Foram acrescentados 2 banheiros e uma cozinha em alvenaria. Ela forma um conjunto muito charmoso e até um pouco saudosista no final da colônia moderna, próximo ao campo de futebol, rodeado por um denso bosque reflorestado.

terça-feira, 5 de julho de 2016

3.Fazenda Suissa: Oito Fazendas - 1985 a 2015 (1)
3.1Nossas Fontes:
Para coletar dados referentes aos trinta anos mais recente da história da Fazenda Suissa não há fonte melhor que os dois proprietários que nela moram desde o início da década de 1980.

Gerhard Heinrich Spiller, casado com Isabel Carolina Wirth Spiller, neta do fundador Max Wirth, é arquiteto e dedicado criador de gado pardo-suíço. Administra a Fazenda Suissa desde 1982, passando à morar definitivamente na velha sede em 1995.

 








Arthur Johann Baumgartner, filho de Johann Viktor Baumgatner e neto de Max Wirth, é engenheiro agrônomo apaixonado pela profissão. Ele mora na Fazenda Sabiá com sua esposa Marianne e seus filhos Beatriz e Ueli desde 1983.




 3.2Transição para a Terceira Geração e Desmembramentos
No final do ano de 1975, aos 57 anos, Hans Peter Wirth (Dr. Pedro) faleceu num acidente de automóvel. Os filhos se encontravam na Suíça à estudo, exceto a primogênita Evelyn casada com o médico Dr. Jorge Schweizer que assumiu a administração do espólio.

A viúva Dona Margot procurou o cunhado Johann Viktor Baumgartner (Dr. João) para ajudá-la na partilha das fazendas. Essa escolha longe de ser aleatória, foi motivada pelo fato que os cunhados Dr. Pedro e Dr. João, ambos engenheiros agrônomos formados na mesma escola, haviam convivido em grande sintonia. O espólio e o processo de partilha duraram até o início da década de 1980. Dr. João, refletindo sobre a efemeridade da vida, resolveu dar suas fazendas aos filhos em vida. Assim ele passou a Fazenda Sabiá para Arthur e Verena, enquanto Dona Margot deu a Fazenda Suissa para sua filha Isabel.



 Durante os próximos 30 anos a antiga Fazenda Suissa, composta pelas fazendas Sabiá e Suissa, foi dividida em oito diferentes propriedades, iniciando pelo desmembramento da Fazenda Seriema em 1988 que ficou para Verena, a filha mais velha de Dr. João enquanto o remanescente da Fazenda Sabiá ficou para o filho Arthur.
Segue o mapa esquemático da antiga Fazenda Suissa destacando todos os desmembramentos ocorridos entre 1985 e 20015.



3.3 Fazenda Seriema
Verena Baumgartner se formou em agronomia e zootecnia na Suíça, onde conheceu seu marido, o arquiteto Max Matter. Voltando para o Brasil após os estudos o casal foi morar na Fazenda São João do Monte Alto em Maracajú. Naqueles confins do Mato Grosso do Sul Max descobriu sua vocação para o manejo de lavouras. Ele adora a muvuca do maquinário durante o preparo do solo, o plantio e a colheita, problemas mecânicos são desafios instigadores, por isso gosta de colecionar tratores antigos. Mas a nova Fazenda Seriema tinha sobretudo pastagens, um prato cheio para Verena que sempre gostou da criação de gado nelore. Na paisagem ondulada com bosques de eucalipto e pinus, córregos com represas, ela escolheu a localização da nova sede junto à uma grande figueira solitária que ainda hoje se destaca no meio da pastagem. Max então, voltando à sua profissão de origem, projetou todas as edificações para a nova sede intercaladas com árvores numa charmosa seqüência linear com perfeita orientação leste-oeste. 
 Na época da implantação da sede o cunhado Arthur e Marianne já estavam instalados na Fazenda Sabiá, no entanto Max e Verena moravam longe, por isso combinaram com os vizinhos para acompanhar as obras na Seriema.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

2.Fazenda Suissa e Fazenda Sabiá 1955 a 1985 (5)

2.7 Fazenda Suissa:
As Estruturas Flutuantes de Mestre Mathys
Com a sucessão de gerações houve também uma renovação geral do quadro administrativo. Dr. Pedro buscou Ernst Öhniger, um engenheiro agrônomo suíço dos confins do Cantão de Thurgau, para encabeçar a nova equipe. Sr.Ernesto já trabalhava para o Espólio Max Wirth em Guararapes e veio para a Fazenda Suissa em 1957, com a esposa Dona Eunice e a filha mais velha Lina. Aqui viveram por mais de 20 anos e criaram seus 8 filhos.


Sr. Natal Polizatto trabalhava no Banco Popular em Guaimbê. Como a agência local fechou, Sr. Natal aproveitou o convite de Ernesto Öhniger para assumir a função de guarda-livros na Fazenda Suissa, substituindo Mauro Ebner. Dona Maria, sua esposa, logo que tirou a carteira de motorista em Getulina, recebeu das mãos de Dr. Pedro uma camionete Toyota novinha para conduzir os alunos do ginásio até Guaimbê, já que a escola da fazenda tinha somente as 4 primeiras séries. Não havia temporal nem chuva que segurasse Dona Maria, os alunos e a Toyotinha traçada na estrada barrenta entre a fazenda e a cidade...

 Sr. Olavo Arantes foi fiscal geral da Fazenda Suissa desde 1951 quando mudou da colônia São José para a sede na casa ao lado da farmácia. Ali morou por mais de 20 anos e criou seus 12 filhos. Ele e Rodolfo Wild, engenheiro agrônomo encarregado das lavouras de café, foram fundamentais para a transição administrativa de Ernst Loosli para Ernst Öhninger.

Em 1962 Dr. João, cunhado de Dr. Pedro, buscou uma equipe de construtores na Fazenda Paredão para construir a infraestrutura completa da Fazenda Sabiá que havia sido recém desmembrada. Nessa ocasião o mestre de carpintaria Erwin Mathys e sua esposa passaram à morar na sede velha da Fazenda Suissa onde ele também projetou e construiu três maravilhosas estruturas de madeira, tão leves que parecem flutuar.
A serraria e a oficina mecânica eram de responsabilidade da família de José Penha, que atendeu Erwin Mathys em todas as suas requisições de madeiras e ferragens.


A Nova Cocheira e o Paiol: Atrás da primeira moradia de madeira do pioneiro Max Wirth havia uma cocheira com curral que abrigava tanto as vacas leiteiras como os cavalos de montaria. Todas as manhãs era tirado o leite para consumo dos moradores da sede e se arreavam os cavalos para equipe de administração. A pequena leiteria da sede tornou-se obsoleta. Em seu lugar Erwin Mathys projetou uma bela cocheira só para os cavalos da equipe administrativa.


 Já nos anos de 1970 o carpinteiro Romeu Castilho, aluno do velho mestre Mathys, veio executar o projeto do paiol de milho onde se guardava o suplemento alimentar da tropa. Tanto a cocheira como o paiol são pequenas jóias da arte de construir estruturas leves em madeira.




 A Grande Garagem: Junto com o advento da modernização das lavouras ocorreu uma forte diversificação nas atividades produtivas da fazenda, tais como o plantio de eucalipto e o aprimoramento da pecuária comercial de corte e de leite.

Muitos serviços nos cafezais, principalmente a colheita, ainda eram feitos manualmente. Porém foram comprados pequenos tratores e muitos implementos úteis na mecanização das lavouras de café tais como roço-carpa e pulverizadores.  Para abrigá-los Erwin Mathys projetou uma bela garagem com 8 tesouras de 22metros de envergadura e 620m² de área coberta.


 A Grande Leiteria: Nessa fase de inovação Dr. Pedro importou sêmen de gado-pardo-suíço para melhorar a genética e expandir o rebanho leiteiro. Era necessário construir uma leiteria moderna em lugar mais apropriado que permitiria um manejo adequado de pastagens, já que a velha leiteria estava apertada entre íngreme encosta e as instalações da sede.

O local escolhido para a implantação foi próximo aos currais da antiga Vita Farma onde já havia boas pastagens formadas de capim colonião. Além do galpão de 1.200m² há mangas para apartação do gado e a casa do retireiro conforme o desenho abaixo.



domingo, 29 de maio de 2016

2.Fazenda Suissa e Fazenda Sabiá 1955 a 1985 (4)

2.6 Fazenda Sabiá: Instalações para Administração, Mecanização e Manejo Pecuário
O grande galpão que hoje serve de garagem para os veículos e demais maquinário da Fazenda Sabiá foi o local onde nasceram todas as outras construções. Além de ser o primeiro teto dos construtores serviu também para a fabricação de blocos de concreto com os quais foram erguidas as casas da colônia, o escritório e a oficina. Essas primeiras construções da Fazenda Sabiá eram originalmente cobertas com telha de cimento amianto, exceto a cocheira e o curral. Já se utilizava, portanto materiais industrializados diferentemente da época pioneira onde primeiro era necessário manufaturar telhas e tijolos antes de construir.


O Escritório
O escritório foi projetado à moda antiga com duas salas. A sala do escrivão tinha um guichê para a varanda através do qual os trabalhadores rurais se comunicavam com ele sem entrar na sala. Ali se assinava o ponto e a folha de pagamento. 
O administrador ocupava a sala mais reservada com acesso ao lavabo. 
Posteriormente o escritório foi ampliado conforme se vê na foto.


A Oficina
A oficina, construção compacta e objetiva, reflete o rigoroso senso de organização suíço. Cada setor seja de borracharia, lubrificação, abastecimento ou consertos tem suas bancadas e armários para ferramentas. 


 O Paiol
O paiol de milho segue o modelo clássico É uma construção elevada do solo e arejada para impedir o mofo e o ataque de roedores. Um diferencial porém é o mezanino que ocupa metade da parte superior do paiol. Os dois alpendres laterais servem de abrigo para charretes e pessoas durante as chuvas de verão. 


 A Cocheira e o Curral
Dizem os antigos que havia outro curralzinho muito feio no mesmo local. Paul Ackermann montou o curral de 2000m² tal qual ele é utilizado hoje. É uma instalação moderna e completa com cinco mangas, seringa, tronco, apartadouro, balança e embarcadouro nessa ordem.  Chamam a atenção os nichos reservados para as árvores que sombreiam as mangas, um detalhe que oferece conforto aos animais ali contidos.
A cocheira tem somente uma manga externa, junto ao curral. Ela oferece espaço para arrear e abrigar cavalos, conter, banhar e tosquiar carneiros, abater gado, enfim  atividades diversas relacionadas com a lida pecuária.





A Casa-Sede
Em 1968 o patrão Dr. João remanejou os administradores das fazendas porque ele notou que seus colaboradores mais imediatos moravam distantes dos familiares. Assim Paul Ackermann foi cuidar de uma fazenda perto de Guararapes onde morava a família de sua esposa e João Bannwart veio para a Fazenda Sabiá, ficando mais próximo de seus parentes de Pirajuí.
Ao se mudar para a Sabiá João Bannwart dispensou a Mansão Ventania, moradia de seu antecessor, e ocupou logo duas casas da nova colônia. Mas esse arranjo não era muito prático, principalmente na estação das águas, então ele optou por construir uma Casa Sede mais confortável para si. Ele convenceu o patrão que, fazer uma casa de bom tamanho, seria uma empreitada rápida e barata. Assim fez, utilizando bloco cerâmico furado, laje premoldada, telha de barro e esquadrias de ferro. A casa ficou razoavelmente prática e ganhou conforto térmico em relação às demais, mas ficou a construção mais sem graça da Fazenda Sabiá.
Hoje as varandas e o paisagismo corrigiram essa feiúra acrescentando uma boa dose de charme e aconchego à Casa-Sede conforme mostra a foto. Mas essas alterações serão comentadas mais adiante. 



Segue abaixo uma imagem mostrando o conjunto da sede da Fazenda Sabiá:

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

2.Fazenda Suissa e Fazenda Sabiá 1955 a 1985 (3)
Após a dissolução do espólio de Max Wirth os dois cunhados que ficaram com a Fazenda Suissa começaram implantar seus diferentes estilos de gestão. Dr. Pedro gostava da agricultura e cultivava seus novos cafezais com carinho, mesmo porque ele contava com toda a infraestrutura necessária para o processamento do café. Já Dr. João acabara de voltar de uma viagem aos Estados Unidos onde estudou novas perspectivas para a produção de carne. Como ele ainda não tinha uma sede operacional na nova Fazenda Sabiá ele aproveitou para substituir os cafezais por pastagens.  

2.5 A Equipe de Construção da Nova Sede
Por volta de 1962, depois que o escritório de arquitetura Pestallozzi forneceu todas as plantas das casas novas da Fazenda Sabiá, Dr. João foi buscar uma equipe de construtores competentes na Fazenda Paredão.
Seu cunhado Dr. Pedro que lá morava convocou o suíço Walter Tobler, um amigo de infância. Ele era marceneiro de mão cheia, mas atuava principalmente como construtor, profissão de maior demanda naquela época de divisão das fazendas. Em 1953 Walter Tobler havia contratado um mestre carpinteiro em sua terra natal para completar sua equipe brasileira. Erwin Mathys jovem mestre era filho de uma tradicional família de carpinteiros dos confins do Emmenthal. Ele queria se aventurar no Brasil e desta forma juntou a fome com a vontade de comer, conforme manda o ditado. Vindo para cá foi contratado por Walter mas não tardou à se tornar sócio do compatriota. No final da década de 1950 ambos casaram com moças de Oriente-SP e os negócios começaram a prosperar. 

 Dr. João pediu à dupla Tobler-Mathys de erguer todas as construções necessárias para a nova sede o mais rápido possível. Enquanto isso Paul Ackermann, o administrador que morava na Mansão Ventania, arrancava café, semeava pastagens, enfim, cuidava das lavouras e do gado. Os sócios construtores chegaram com a turma num pequeno caminhão Opel e montaram acampamento em baixo da figueira, única ainda pequena sombra do local.



Construíram primeiramente um reservatório de água subterrâneo com capacidade de armazenar 86’000litros  e uma caixa d’água elevada de 17’000 litros no topo da colina junto à futura sede. Era uma obra de concreto armado muito exagerada em sua robustez, mas ousada em sua estrutura e moderna no visual.


 Logo que foi possível utilizar o reservatório ele se tornou a alegria da turma da construção. Todo fim de expediente os homens se jogavam pelados naquele grande tanque, nadavam e brincavam para se refrescar da labuta diária no descampado sem sombra




Os Galpões de Erwin Mathys

Em seguida construíram o grande galpão de máquinas conforme projeto de Erwin Mathys, com tesouras que vencem grandes vãos utilizando peças relativamente curtas unidas somente com cravilhas dispensando parafusos. O projeto otimiza o uso da madeira em relação à sua área coberta de 440 metros quadrados. As tesouras treliçadas vencem um vão entre apoios de 13 metros e acrescentam mais 4,50 metros de balanço em cada lateral completando 22 metros de comprimento.



 Tão logo ficou pronto o galpão passou primeiramente à abrigar a fabricação dos blocos de concreto utilizados na construção de todas as casas, dos quartinhos da cocheira, da oficina e do escritório. Além disso, a turma também mudou o acampamento da figueira para o conforto do galpão.






Em 1963 Erwin Mathys e sua esposa Dirce haviam se mudado de Oriente para a Fazenda Suissa à fim de acompanhar de perto a equipe de construção da nova sede da Fazenda Sabiá, sem abdicar ao conforto de uma casa de alvenaria. Eles moravam ao lado da casa do guarda-livros. 




Ao mesmo tempo em que ele orientava os trabalhos de construção da nova sede da Fazenda Sabiá, ele também ajudou a modernizar a Fazenda Suissa. As tulhas secadoras foram demolidas e no espaço por elas ocupado foi construído um galpão para guardar máquinas, parecido porém maior que aquele da Fazenda Sabiá.
O secador passou por uma reforma na qual se retirou a torre do elevador principal, se instalou fornalhas mais eficientes e se construiu uma nova moega.


Todos esses trabalhos foram realizados pela equipe Tobler-Mathys, mas o mestre carpinteiro do Vale do Emmenthal era o engenheiro chefe que calculava todas as peças e junções garantindo a estabilidade das estruturas. Trinta anos mais tarde ele foi consultado para uma modificação simples da estrutura do telhado da moega. Foram retirados 2 pés-direitos sem alterar as tesouras. A folha à seguir é parte do projeto de alteração que Erwin Mathys calculou e desenhou de próprio punho.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

2.Fazenda Suissa e Fazenda Sabiá 1955 a 1985 (2)

2.3 O Sertãozinho
No período do condomínio após o falecimento do patriarca, o gerente geral da Fazenda Suissa, Ernst Loosli, se aposentou e foi cuidar de sua propriedade próxima ao perímetro urbano de Guaimbê.

Seu sucessor Ernesto Öhninger era um jovem técnico agrícola crescido e formado nos pomares de macieiras, pereiras e pessegueiros do Cantão de Thurgau na Suíça. Coube a ele a renovação e os cuidados das novas lavouras de café em curva de nível, além de iniciar os reflorestamentos de pinus e eucaliptos. Porém primeiro ele pode saborear um pouquinho a aventura de desbravar terras intocadas pelo homem branco. 
Havia no canto oeste da fazenda um resto de mata virgem chamado Sertãozinho que logo mais passaria a fazer parte da Fazenda Sabiá. O mapa abaixo ilustra a Fazenda Suissa já com as reformas implantadas nos anos que se seguiram pelo filho Dr.Pedro e pelo genro Dr.João, ambos engenheiros agrônomos sucessores de Max Wirth.


Em 1957 Hans Peter Wirth (Dr. Pedro) que encabeçava o condomínio arrendou o Sertãozinho ao Sr. Koishi Tokuda e sua família para derrubar parte da mata e plantar algodão durante 2 ou 3 anos, sob a orientação  do administrador Ernesto Öhninger.




Conforme nos conta seu filho Sr. Minoru Tokuda antes de se estabelecer na Fazenda Suissa a família havia tentado a sorte em diversos municípios do Oeste Paulista como Nova Europa, Itápolis, Jales e Araraquara. 
O casal Tokuda tinha 4 filhos homens que ajudavam na roça e uma filha já casada que morava em Pompéia. Após a derrubada a família montou uma casa de madeira, plantou algodão e cultivou uma roça para subsistência. Seu meio de transporte era um carroção puxado por diversas juntas de burros com o qual sempre vinham até a sede conversar com Sr. Ernesto e se abastecer no armazém da fazenda.



2.4 Fazenda Sabiá (1): As Moradias

Mansão Ventania

Johann Viktor Baumgartner (Dr.João) assumiu sua parte da Fazenda Suissa e deu-lhe o nome de Fazenda Sabiá. Contratou Paul Ackermann um administrador suíço que todos chamavam de Paulão. Ofereceram-lhe uma moradia confortável na antiga sede, mas Paulão resolveu construir sua própria casa de madeira no meio das colinas descampadas da Sabiá onde haviam arrancado o velho cafezal e plantado gramão para a formação de pastagem. Assim estaria mais próximo do serviço. O vento castigava sua nova casa sem piedade por isso Paulão plantou uma figueira nos fundos e deu o pomposo nome de “Villa Durchzug”, Mansão Ventania livremente traduzido, ao seu novo lar.



A Sede Nova

Na Fazenda Sabiá já havia três colônias onde os trabalhadores moravam em casas geminadas muito simples. A colônia principal, Santa Maria, hoje ainda está bem preservada e as outras duas, São José e Jiquiri, desapareceram só restando poucos vestígios.

Faltavam, no entanto casas confortáveis para os colaboradores mais qualificados como mecânico, tratorista e escrivão. No início da década de 1960 Dr. João contratou o escritório de arquitetura Pestallozzi de São Paulo para elaborar o projeto dessa nova sede planejada para ficar ao lado da Mansão Ventania. O arquiteto e seu irmão artista vieram para o interior num carro Aero Willis modernoso, ficaram por alguns dias na casa do Dr.João e Dona Verena. Enquanto o arquiteto debatia as diretrizes do projeto com os proprietários o irmão pintou o retrato que hoje está no escritório da fazenda. O resultado dessa visita foi um conjunto de 6 casas com telhados de fibrocimento de uma água e pequeno alpendre na frente.


As casas tinham 2 quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviços com dimensões generosas e a leveza característica da arquitetura modernista da época. Fugindo da tradição colonialista onde as casas padrão eram alinhadas ao longo de uma rua o arquiteto optou por agrupá-las aos pares deixando um gramado central. Cada casa tem seu quintal com pomar, galinheiro e pocilga no fundo – enfim uma sede modelo moderna!